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Biografia de Oscar Wilde |
Em seguida, tenta mudar de idéia e desistir do processo, visto que muitas rumores
pairavam sobre sua própria conduta. Mas, é tarde demais, e as provas concretas da sua
desregrada vida sexual começam a aparecer e um novo processo é instaurado contra ele.
Entre as provas, a mais contundente é uma carta enviada por Wilde para o jovem Lord,
peça chave no julgamento:
"January 1893, Babbacombe Cliff
My Own Boy,
Your sonnet is quite lovely, and it is a marvel that those red-roseleaf lips of yours
should be made no less for the madness of music and song than for the madness of kissing.
Your slim gilt soul walks between passion and poetry. I know Hyacinthus, whom Apollo loved
so madly, was you in Greek days.
Why are you alone in London, and when do you go to Salisbury? Do go there to cool your
hands in the grey twilight of Gothic things, and come here whenever you like. It is a
lovely place and lacks only you; but go to Salisbury first.
Always, with undying love,
Yours, OSCAR."
A 6 de abril começa o primeiro dos processos contra ele., no Tribunal de Old Bailey.
Em 11 de abril, é transferido da Prisão de Bow Street, onde estava encarcerado, para a
de Holloway, como réu de crime inafiançável.
Em 1985, a sentença é decretada: Oscar Wilde foi condenado por sua relação dúbia com
o Lord e suas práticas homossexuais á 2 anos de cárcere. Segue-se uma transcrição das
palavras do Juíz, onde ele diz, entre outras coisas, qual seria a penalidade para o
literato:
"IT IS NO USE FOR ME TO ADDRESS
YOU. PEOPLE WHO CAN DO THESE THINGS MUST BE DEAD TO ALL SENSE OF SHAME, AND ONE CANNOT
HOPE TO PRODUCE ANY EFFECT UPON THEM. IT IS THE WORST CASE THAT I HAVE EVER TRIED...THAT
YOU, WILDE, HAVE BEEN THE CENTRE OF A CIRCLE OF EXTENSIVE CORRPUTION OF THE MOST HIDEOUS
KIND AMONG YOUNG MEN, IT IS EQUALLY IMPOSSIBLE TO DOUBT. I SHALL, UNDER SUCH
CIRCUMSTANCES, BE EXPECTED TO PASS THE SEVEREST SENTENCE THAT THE LAW ALLOWS. IN MY
JUDGEMENT IT IS TOTALLY INADEQUATE FOR SUCH A CASE AS THIS.
THE SENTENCE OF THE COURT IS THAT YOU BE IMPRISIONED AND KEPT TO HARD LABOR FOR TWO
YEARS".
Depois desse incidente, toda sua fama e sucesso financeiro começa a desmoronar. Suas
obras e livros são recolhidos das livrarias, assim como suas comédias tiradas de cartaz.
O que lhe resta, acaba sendo leiloado para suas despesas do processo judicial.
Mesmo condenado, Wilde não abaixaria sua cabeça e declararia á todos que quisessem ouvir, o que se passava dentro de si:
"O amor que não ousa dizer o
nome' nesse século é a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem
como aquela que houve entre Davi e Jonatas, é aquele amor que Platão tornou a base de
sua filosofia, é o amor que você pode achar nos sonetos de Michelangelo e Shakespeare.
É aquela afeição profunda, espiritual que é tão pura quanto perfeita. Ele dita e
preenche grandes obras de arte como as de Shakespeare e Michelangelo, e aquelas minhas
duas cartas, tal como são. Esse amor é mal entendido nesse século, tão mal entendido
que pode ser descrito como o `Amor que não ousa dizer o nome' e por causa disso estou
onde estou agora. Ele é bonito, é bom, é a mais nobre forma de afeição. Não há nada
que não seja natural nele. Ele é intelectual e repetidamente existe entre um homem mais
velho e um homem mais novo, quando o mais velho tem o intelecto e o mais jovem tem toda a
alegria, a esperança e o brilho da vida à sua frente. Que as coisas deveriam ser assim o
mundo não entende. O mundo zomba desse amor e às vezes expõe alguém ao ridículo por
causa dele."
Ainda assim, a poesia estava em suas veias e escreve mais duas obras: "A Balada do
Cárcere de Reading", baseado na execução do ex-sargento Charles T. Woolridge
dentro da Prisão de Reading e "De Profundis", uma longa carta ao Lord Douglas.
Wilde era o prisioneiro C-33 do
presídio de Reading. E, enquanto estava preso, mais especificamente no ano de 1896,
aconteceu um fato curioso: naquela madrugada de 3 de fevereiro, ele diz ter uma visão.
Era o espírito de sua mãe que aparecia para ele. "Eu a convidei para sentar, mas
ela só balançou a cabeça", disse o escritor. No dia seguinte, ele recebe a
notícia da morte de sua mãe.
Foi libertado em 19 de maio de 1897 e transferiu-se para a França, onde adotou o
pseudônimo de Sebastian Melmouth, usando esse nome inclusive para o seu registro no
Hotel d´Alsace, onde passou a maior parte do resto dos seus dias. Mesmo após sua
libertação, continua a manter contato com Lord Douglas, mas, sua relação já não era
mais tão íntima. E, mesmo antes do julgamento, haviam dúvidas sobre o tamanho da
intimidade entre os dois.
Após toda essa decadência, mais física, econômica do que moral, conhece a pobreza, e
tudo o que de pior ela pode trazer. Vive isolado em hotéis baratos, destruindo-se
através do absinto, cuja cor lhe rendeu frases célebres.
Não mais veria seus filhos, que chegaram a ter a atitude absurda de trocar de nomes,
visto á vergonha que seu pai teria "impingido" ás suas vidas. Sua ex-mulher
morreria em 1899.
Oscar Wilde, espirituoso e brilhante escritor, morreu de meningite e uma infecção no
ouvido chamada "cholesteotoma" (doença muito comum antes do advento dos
antibióticos) em um quarto barato de um hotel de Paris, ás 9 hrs 50 mins do dia 30 de
novembro de 1900. Morreu sozinho, mas, não desmoralizado, pois havia deixado
insubstituível obra que, mesmo depois de 1 século, ainda é admirada e relembrada,
tamanho á sua genialidade. Suas últimas palavras foram "Esse papel de parede é
horrível! Alguém precisa trocá-lo!", referindo-se ao papel de parede do quarto de
hotel onde se encontrava.
O dramaturgo jaz no cemitério Père Lachaise, o mais célebre de Paris, onde estão os túmulos de outras 105 grandes personalidades do mundo, como Balzac, Chopin, Alan Kardec, La Fontaine e Molière. Seu túmulo fica no número 83 da Avenue Carette, entre a Transversal 3 e a Avenue Circulaire. Porém, esse não é o lugar onde ele foi inicialmente enterrado. Em 1900, ele foi sepultado no pequeno cemitério de Bagneux. As únicas pessoas que compareceram ao seu enterro foram seu amigo Robert Boss, que certa vez fez divulgação de alguns manuscritos de Wilde e Lord Douglas.
Lord Douglas, ironicamente, arca com todas as despesas do funeral do escritor e depois disso, casa-se, porém, não foi feliz em sua nova união, separando-se mais tarde. Sua vida pregressa com Oscar Wilde o impede de ter a custódia dos filhos. Ele acaba seus dias ainda rememorando a lembrança do escritor; recordações que deixa evidente em seu livro de memórias, escrito em 1938, Without Apology (Sem Desculpas), onde faz um balanço de toda a sua vida.
Sheyla de Campos.
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